Flores para Algernon – Daniel Keyes

Daniel Keyes foi um roteirista de quadrinhos, chegou a trabalhar com o Stan Lee, que para quem não sabe foi o criador do Homem Aranha. Trabalhar para o Stan Lee não era fácil, o ritmo alucinado de produção da Marvel não permitia a Stan entregar um roteiro como dizer “completo” para os desenhistas, ele passava uma sinopse mais bem trabalhada e a linha de montagem corria atrás para desenvolver a ideia.

Neste universo, Keys tinha muito trabalho.

Flores para Algernon foi escrito inicialmente na forma de conto depois evoluiu para um romance. Ele é narrado em primeira pessoa e fala do desenvolvimento de Charlie Gordon após uma cirurgia para aumentar o seu QI.

Charlie é uma pessoa especial, possui problemas de memória e tem dificuldades de aprendizado. Com a cirurgia ele começa a ter um desenvolvimento mental que chega a superar os dos médicos que o operaram.

Como o livro é em primeira pessoa, a visão de mundo vai mudando na medida em que Charlie aprende cada vez mais. A alegria que ele sentia vai dando lugar a uma consciência que chegar a ser pesarosa, triste e até certo ponto solitária. Começa a ver as pessoas ao seu redor com outros olhos, elas não são mais tão boas quanto imaginava.

Quem é algernon?

Algernon é um rato de laboratório, a primeira cobaia nas pesquisas que levaram Charlie a genialidade.

Durante o seu aprendizado Charlie faz alguns testes simples como descobrir a saída de um labirinto e tem Algernon como seu competidor. Ele perde inúmeras vezes para o rato, algo que o deixa frustrado, mas à medida que vai ficando mais inteligente começa a ficar amigo do bichinho.

Alerta de Spoiler!

Sei que muitos leitores não gostam de saber sobre o final da história, tudo bem não vou contar, mas um detalhe é preciso ser dito para descrever a beleza deste livro.

A cirurgia parece não funcionar definitivamente, os implantes degeneram com o tempo, ao observar Algernon, Charlie descobre o que pode acontecer com ele e mergulha em uma crise existencial.

Depois de conhecer o mundo, alcançar o Olimpo dos gênios, tudo vai ser arrancado e ele voltará ao que era antes, talvez pior. E a narração que começou em uma escala ascendente de sofisticação, vai aos poucos empobrecendo. É um ótimo exemplo de desconstrução de  um personagem.

Leia o livro e coloque flores para Algernon, é uma obra terna, que vale a pena.

Daniel Keyes

Keyes nasceu em Nova York em 9 de agosto de 1927, de família judia, ingressou no Serviço Marítimo dos Estados Unidos quando tinha 17 anos trabalhando como perseguidor de navios.

Quando retornou para Nova York, se formou em psicologia pelo Brooklyn College.

Logo após a formatura foi trabalhar na Editora Martin Goodman, tornou-se editor da revista Marvel Science Stories, onde começou a escrever para a Atlas Comics, precursora dos anos 50 da Marvel Comics.

Keyes teve a ideia de Flores para Algernon, mas não chegou a mostrar para Stan Lee, ele achou que a sinopse de um “cara” que seria o primeiro a elevar o seu QI de um nível baixo para um genial e depois ser jogado de volta ao que era, deveria ser mais que um roteiro de quadrinhos.

E ele estava certo.

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