Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Fahrenheit 451 fala de uma distopia, palavra que ficou frequente nos dias de hoje, um mundo onde um governo autoritário procura literalmente queimar qualquer tipo de conhecimento.

451 graus Fahrenheit é a temperatura que queima o papel, que as letras se convertem em cinzas. Quantos graus são necessários para se queimar um pensamento?

Nazistas tentaram descobrir.

A ideia de uma população instruída e consciente assusta qualquer governo que adora ver na massa um rebanho. Todas as nações passaram por isso em algum tempo. França, Alemanha, Itália. Exemplos só do velho continente. Mas o autoritarismo não está restrito a um continente.

Todas as liberdades só sobrevivem através de uma constante vigilância, quase paranoica. Quase. Se não estivéssemos falando de uma terrível face da índole humana, a gana por poder e o apreço pela ignorância do próximo.

Fahrenheit 451 apresenta um futuro (?) onde todos os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais e hedonistas.

O protagonista é Guy Montang, um bombeiro que ironicamente na história significa “queimador de livro”.  Ele seguiu a profissão de seu pai e avô, uma espécie de tradição de família.

Apesar de o próprio Bradbury afirmar que o livro não se trata de censura, mas sim o distanciamento das pessoas do hábito de ler, é impossível não dar a ele essa conotação.

Nazistas queimaram livros, trocaram páginas por vendas. E hoje, com a desinformação, o processo ficou mais fácil. A mente bombardeada perde o sentido e a direção. O foco embaça e o pensamento dispersa. O incêndio acontece entre as orelhas e lá os livros são queimados, no silêncio da intimidade.

Este livro foi escrito nos porões da biblioteca Powel, na universidade da Califórnia, em uma máquina de escrever alugada. Sua intenção era mostrar o grande amor pelos livros.

E a nossa parte aqui é buscar nos porões de nossa mente a lucidez, uma direção para a superfície e enfim respirar.

Falei uma vez em uma crônica que vivemos em uma sociedade de presidentes clowns, outro dia um (literalmente) foi falar de nosso PIB, de todo o coração não queria estar certo.

Precisamos fazer com que mais e mais pessoas leiam e consigam emergir para enfim respirar, sair desta apneia que infesta a todos, sem distinção. Baixe o livro e respire!

Abaixo algumas declarações de Ray Bradbury, qualquer semelhança com a realidade, a nossa realidade…

Na versão em brochura, lançada em 1979, Bradbury escreveu uma nova coda para o livro contendo vários comentários sobre a censura e sua relação com o romance. A coda está presente na versão de 1987.

Há mais de um jeito de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas por aí com caixa de fósforos. Cada minoria, seja batista, unitária, irlandesa, italiana, octogenária, zen-Budista, sionista, adventista, feminista, republicana, homossexual, quadrangular, acha que tem o direito, ou o dever, de dosar o querosene e acender o fogo. O chefe do corpo de bombeiros, capitão Beatty, em meu romance Fahrenheit 451, descreve como os livros foram queimados primeiramente pelas minorias, rasgando uma página ou duas. Depois disso, quando os livros já estiverem vazios e as cabeças fechadas, a livraria fechará para sempre.

… Apenas há seis semanas, eu descobri que, através dos anos, alguns editores da Ballantine Books, com medo de ‘contaminar’ os jovens, tinham, pouco a pouco, censurado 75 seções separadas de meu romance. Os estudantes, lendo meu livro, me escreveram para me contar essa delicada ironia. Judy-Lynn del Rey, um dos novos editores da Ballantine Books, está reeditando o livro inteiro novamente e republicando nesse verão, com todos os ‘diabos’ e ‘infernos’ de volta a seu lugar.

 

Em outra ocasião, Bradbury observa o desdobramento do seu pensamento e de como a mídia está alienando as pessoas:

Escrevendo Fahrenheit 451, eu pensei que estava descrevendo um mundo que talvez ‘aconteceria’ em 4 ou 5 décadas. Mas, há algumas semanas, numa noite em Beverly Hills, um casal passou por mim caminhando com seu cachorro. Eu fiquei olhando para eles, absolutamente pasmo. A mulher segurava, em uma mão, um rádio, em forma e tamanho mais ou menos de um pacote de cigarro, com uma antena balançando. Dele, saía um minúsculo cabo de cobre que terminava em um delicado fone em forma de cone ligado na sua orelha direita. E ela ia ‘voando’, sonâmbula, esquecida do homem e do cão, escutando à novela que tocava no rádio, guiada por seu marido que provavelmente não estava nem aí. Isso não era ficção.

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