De profundis & outros escritos do cárcere – Oscar Wilde

1891, Oscar Wilde é preso acusado de homossexualismo pela família de Lorde Alfred Douglas, um jovem por quem se apaixonou. Na prisão escreveu uma carta ou como ele mesmo a denominou, uma epístola.

Ele só podia receber uma folha por dia e após escrever, esta era retirada e substituída por outra. Portanto a última obra em prosa do escritor não foi revisada por ele.

Wilde queria que os manuscritos fossem entregues para o seu amigo Robert Ross, com uma carta explicando qual seria o seu destino. No entanto as normas da prisão impediam que algum material saísse sem prévia censura.

Por fim quando Wilde foi solto, o diretor da prisão permitiu que ele levasse seus escritos. Ele por sua vez os entregou pessoalmente para Robert Ross e o nomeou seu executor literário, ou seja, Ross seria o responsável por publicar todos os textos de Wilde depois que este morresse.

Ross fez uma cópia da carta e a enviou para Alfred Douglas. Em um acesso de inocência e imbecilidade, Douglas destruiu o texto pensando ser esta a única cópia.

Mais tarde Douglas soube que Ross tinha o original e exigiu que ela lhe fosse entregue, pois a carta de Wilde era destinada a ele e sendo assim lhe pertencia. Ross resolveu a situação doando a carta para o Museu Britânico, onde está até hoje.

Depois de vários processos e disputas de direitos de publicação, a carta foi publicada em 1945, quando todos os envolvidos já haviam falecido.

Afinal o que tem nesta carta?

Wilde foi difamado, sua reputação jogada no esgoto. Ele precisava, pelo menos, preservar o nome da sua família. E o fez, segundo ele, sem justificar a sua conduta, mas explicando de forma clara, os fatos que o levaram à desgraça.

As páginas contam detalhes do relacionamento entre Wilde e Douglas. Dos abusos cometidos pelo seu amante, que o levaram também a ruína financeira. Depois das ações do Lorde Alfred sobre a carta, não restou dúvidas de que o conteúdo lá era real e não uma mera vingança do escritor.

Não há nenhuma justificativa ou desculpas nos depoimentos de Wilde. É mais arrependimento pela sua fraqueza. Ele tentou por várias vezes terminar o relacionamento, mas sempre voltava, como alguém que volta para um vício.

Quão terrível pode ser um relacionamento abusivo?

Lendo De profundis, fica claro que o que eles tiveram foi um tipo de doença, intrinsicamente criada com teias emitidas dos dois lados. Um tão doente quanto o outro.

É uma dependência, que se deixada de lado por décadas, parecia perder seu vigor, mas estava apenas escondida sob uma fina camada de poeira, que com um simples sopro de desfez revelando a carne viva e os nervos expostos.

A ânsia cega ferveu o líquido ocular de Wilde, enevoou sua córnea, e mandou para o cérebro erros.

De erros em erros, Wilde já não sabia o que era certo. Tudo era certo e ao mesmo tempo errado, tudo tinha uma ponta boa, e um iceberg mal. Mas não importava, seus olhos estavam queimados e a realidade que chegava se moldava às insanidades.

No livro, frases de vício, fórmula de um vínculo pernicioso.

Oscar Wilde nunca teve chance, pois estava preso ao monstro que residia no cerne de seu ser e que lhe dava forças para escrever.

A visão profunda de um escritor, sua fórmula de realidade, que o fazia produzir textos incríveis, tinha um contraponto, um efeito colateral. O impelia a acreditar no que os seus nervos produziam, não no que a vida em sua frente se construía.

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