INCONFISSÕES

Tudo me assombra: um gritinho meio-mudo na garganta, a espera pelo convencimento e o tato áspero desses desencontros. Fiz autobiografia, um pouco inquieta – descritiva amedrontada, simplista técnico-científica. E, no final, arredondei os nós – fatal e sabichona – ainda que sutilmente inconclusa; sentei-me esperando um toque divino: a praça lotada, tudo meio turvo, um salto racional de um local ao outro, andarilhos de Salvador e o baque plurisonoro. Esperei de Deus compreensão submissa. Pus-me de pé e. Talvez seja a hora – minha casa e tudo o mais; vou ao centro amanhã: acordei amarga hoje, sentimentalmente clariciana. Fragmentos de memória. Tenho medo de palavras, a pontada de dor inicial, o ato é tão grande que desejo morrer de tanto abraçar acordes confusos e em profusão. I said yesterday:Não irei te ver amanhã, há uma ira impenetrável em mim, quero tocar no sexo o torpor desses teus toques…Te olho uma última vez. Que há meu bem, eu fiz algo? Meti-me impura e excitada, eu sei; esperei calhar um suspiro, um cântico de Britten, o astro em púrpura condescendência, o resultado feminista de toda a sujeição, meu corpo apoiado ao núcleo fatalista desse teu corpo no breu… Fiz festa, a folia no décimo terceiro andar e te mandei uma mensagem em tom bergmaníaco de saudades. Eu fiz.

Por: Matheus Mendes

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