Androides sonham com ovelhas elétricas? – Philip K. Dick

 

Androides sonham com ovelhas elétricas? ” Fez 50 anos agora em 2018. Foi o clássico que inspirou o filme Blade Runner, e teve uma sequência recentemente. No livro Rick Deckard é um caçador de recompensas que “aposenta” androides rebeldes.

A história acontece em uma terra devastada por uma guerra atômica que dizima quase toda a sua vida. Muitos humanos deixam o planeta para morar nas colônias terrestres, como Marte. Os que ficam são obrigados a viver sob a constante ameaça de uma nuvem tóxica, que matou várias espécies do planeta.

Ter um animal real é um luxo para poucos, inclusive é uma forma de status. Os animais são caríssimos e são vendidos como artigos de luxo. Quem não consegue ter um animal real deve contentar-se com um elétrico.

No caso do protagonista, ele possui uma ovelha elétrica. Daqui pode se tirar uma das inúmeras metáforas do livro; se um homem sonha com uma ovelha real, seria então coerente pensar que um androide sonharia com uma ovelha elétrica?

Este pensamento nunca fica explicito no livro, está nas entrelinhas. Durante a evolução do personagem ele começa a se questionar sobre sua profissão. Para identificar se um suspeito é realmente um androide, é feito um teste de empatia denominado escala Voigt-Kampff, que consiste em uma série de perguntas que devem ser respondidas usando um aparelho que mede as reações empáticas do suspeito. Com base nestas reações pode-se saber se alguém é um androide ou não.

Robôs quase/mais que humanos

Oito androides escapam de uma colônia terrestre, são de uma nova geração chamada de Nexus-6, mais inteligentes que a maioria dos humanos “Especiais” que ficaram na terra, os chamados “cabeças-de-galinha” por terem um nível de inteligência inferior.  No caso dos androides não é a falta de inteligência que os diferencia dos humanos e sim a falta e empatia.

O caçador de androide sênior, chamado Dave Holden, é gravemente ferido quando tenta pegar um destes Nexus-6, para Rick é uma grande chance de capturar estes fugitivos e assim conseguir dinheiro para comprar um animal real e aposentar sua ovelha elétrica.

Mas antes de partir à caça dos androides precisa se certificar que o teste Voigt-Kampff é realmente eficaz para detectar a não-humanidade dos Nexus-6.

Para isso ele vai até a organização Rose, que criou os androides, a fim de fazer testes e se certificar que poderá identificar os fugitivos.

Na organização conhece Rachael Rosen que será, no decorrer do livro, o principal motivo para Rick duvidar do seu trabalho e da não-humanidade dos androides.

Os questionamentos de Philip K. Dick

O livro não fala somente do grande medo da humanidade de criar um ser sintético que possa suplantar a nossa existência aqui no planeta. Aliás este é o menor dos problemas. No mundo pós-guerra o fim da raça humana parece uma questão de tempo, pelo menos para os que ficaram na terra.

O grande medo é a solidão, o vazio silencioso que tomou conta da terra. Os animais que se extinguem um após o outro, prédios vazios que são ocupados por poucas pessoas, o lixo que se empilha e cresce devorando a civilização.

A única forma de se ligar ao próximo é através de uma caixa de empatia, onde ao se conectar o usuário entra em contato com Wilbur Mercer, uma espécie de Messias que une todas as mentes em um único sentimento.

Já na vida real as emoções são pré-programadas através de um dispositivo chamado sintetizador de ânimo, onde pode-se definir quais serão as suas mudanças de humor durante o dia.

Estes pontos fazem do livro uma obra prima futurista. Ele questiona os princípios básicos da humanidade, antevê situações que hoje não são tão estranhas.

Quando mandamos uma selfie em uma mídia social, não compartilhamos o nosso sentimento com uma gama infinita de pessoas? No caso da caixa de empatia ainda havia a vantagem deste compartilhamento ser genuíno, não uma foto fabricada mostrando uma felicidade artificial.

E a solidão? Presos em telas de plástico, vidro e metal não temos uma falsa sensação de não estarmos sós? Não é muito diferente de morar sozinho em um prédio de 20 andares.

A grande pergunta não é se os androides serão melhores que nós quando vierem. E sim. Se serão mais humanos!

A linha tênue entre ser humano e existir é constantemente questionada em “Ovelhas elétricas”. É impossível não olhar para os nossos reflexos nas sombras digitais que projetamos e ver que não precisamos de uma guerra atômica para começar a sentir os efeitos da radiação.

Este é o grande trunfo da ficção de Philip, seus textos não projetam um futuro de centenas de anos à frente, e sim décadas. Ele, em sua loucura paranoica viu as pegadas que ainda não tínhamos feito. Até hoje?

Philip K. Dick

Philip Kindred Dick ou Philip K. Dick, também conhecido pelas iniciais PKD nasceu em Chicago no dia 16 de dezembro de 1928. Seus textos alteraram profundamente a ficção-científica, explorando temas político, filosóficos e sociais, autoritarismo, realidades alternativas e estados alterados de consciência.

Ele possuía uma irmã gêmea que morreu semanas após o nascimento. Sua mãe chegou a dizer que por ter pouco leite, teve de optar por alimentar um dos dois e por isso o outro tinha morrido.

É claro que depois de uma declaração destas, sua vida e seus textos acabaram sendo afetados profundamente.

Inicialmente, seus contos e novelas não tiveram sucesso comercial. Foi em 1962 que seu livro O Homem do Castelo Alto foi aclamado pela crítica, ganhando inclusive o Prémio Hugo de melhor livro.

Ao todo, foram produzidos 44 livros, cerca de 121 contos, a maioria deles publicados em revistas especializadas ainda em vinda.

Depois de uma experiência religiosa que o marcou profundamente em fevereiro de 1974, Philip se aventurou em temas explicitamente teológicos, como no caso do livro VALIS (1981).

Vários de seus livros foram adaptados para o cinema e para a televisão, como Blade Runner (1982), Total Recall (1990 e 2012), Minority Report (2002).

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