A grande ameaça da humanidade

Há muito na ficção sobre uma possível revolta de uma inteligência artificial, máquinas que veriam em nós humanos seres obsoletos e, portanto, descartáveis.

Mas, e se, não fosse uma inteligência artificial a possível ameaça à humanidade que conhecemos?

Explico; há uma série de pesquisas, algumas até sérias, sobre a possibilidade de se transportar a mente humana para um dispositivo, que poderia ser um androide ou algo do gênero.

Neste caso a consciência seria uma espécie de software a se propagar indefinidamente por toda a existência. Seriamos, enfim, imortais.

Mas qual seria o preço desta imortalidade? Como uma mente humana viveria sem os limites da morte?

Podemos vislumbrar algo parecido vendo o comportamento dos jovens e adolescentes. A maioria, normalmente saudável, não pensa na morte, não pensa no futuro, afinal são jovens e tem a vida toda pela frente. Eu costumo chamar este comportamento de síndrome da imortalidade (não sou psicólogo, é apenas um termo inventado). Estes jovens são inconsequentes, vivem pela direção do vento, afinal faz parte da vida deles não ter pensamentos profundos e chatos como sustentar uma família, pagar contas, e por aí vai.

Conforme vamos ficando mais velhos, tomamos consciência da nossa mortalidade, criamos filhos para que eles sigam por um tempo em que não estaremos mais aqui, ficamos comedidos com nossas ações, vemos nossa fraqueza crescendo no espelho, dia após dia.

Nos acostumamos com as perdas, não somos mais tão fortes e velozes como fomos há algumas décadas, nosso corpo com seus sinais de cansaço característicos, nos mostram que talvez algum dia não haja um amanhã, e, “caput” viramos história.

Agora imaginem, se sempre houver um amanhã, nunca percebermos os sinais da idade, nunca precisarmos nos preocupar em ter filhos para continuar o nosso legado. O que seria dessa humanidade?

Ou melhor, como seria esta humanidade?

Talvez eternos adolescentes em festas intermináveis, com prazeres e epifanias etílicas. E o pior, nunca envelhecer.

Uma inteligência artificial, não tem noção da existência como nós temos, ela não tem o medo da morte, por exemplo, este é um conceito humano. Na maioria dos animais há um instinto de sobrevivência, é preciso se manter vivo para propagar a sua espécie, mas o conceito da certeza da morte é só nosso.  Uma inteligência artificial, se ou quando for criada, poderá ter em seus códigos uma programação limitadora, algo como as três leis da robótica de Asimov, mas e um ser humano que se sentar neste mesmo trono imortal, sabendo que venceu a maior de todas as certezas?

Não há três leis para isto, esta pessoa será virtualmente ilimitada, livre arbítrio eterno, sem paraíso ou inferno. E o pior, sem punições.

Talvez uma punição; ser deletada da existência. Uma pena de morte para os mortos, sim, pois a sua mente só seria transformada em “software” depois que morresse, então se o indivíduo cometesse um crime, este seria feito depois de sua morte oficial, e ser apagado é, neste caso, morrer pela segunda vez.

Mas voltando ao ser que agora é eterno e não tem limites, como seria a evolução psicológica desta pessoa, se ainda fosse uma pessoa?

Poderia se tornar um ditador e criar as próprias leis, uma delas seria a de proibir a morte dos mortos, ele e milhares de outros iguais, andariam por aí cometendo as piores atrocidades, e que tudo mais fosse para o inferno, que a esta altura estaria bem vazio.

Neste cenário a inteligência artificial não parece ser a pior ameaça para a humanidade, já que aos poucos, todos os seres humanos com capacidade financeira para comprar o infinito acabariam por dominar toda a parte orgânica da população, que aos poucos se extinguiria. Talvez ela até navegasse entre as mentes “cibernetizadas” como mais uma que não morre.

E por fim, um dia o último bebê nasceria, o último choro seria ouvido por uma mãe, que ainda orgânica, daria o último leite, e cantaria a última canção de ninar.

Esta criança seria única, em um mundo que esqueceu o que é morrer. Nós nem sempre estivemos por aqui, e é certo, não estaremos para sempre, só nos resta saber o que vamos deixar quando não houver mais choros de bebês.

Circuitos elétricos, moléculas orgânicas sintetizadas? Um canal de vídeo em algum chip de silício vagando através de supernovas?

Alea jacta est, que chorem os bebês enquanto tiverem pulmões, e que os nossos pés de carne levem mentes, que ainda saibam que ter limites é o que nos faz crescer.

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