Dois irmãos – Milton Hatoum

– Meus filhos já fizeram as pazes?

O livro começa com uma morte. Zana a mãe dos gêmeos Yaqub e Omar, que serão por toda vida rivais. A última pergunta que faz é se os filhos já fizeram as pazes.

Logo no primeiro capítulo Yaqub vai para o Líbano. O motivo da viagem é esclarecido voltando-se ao passado. Os gêmeos passam a vida em brigas e ódio, um ódio criado ainda no ventre que cresce quando ambos disputam a mesma mulher: Lívia.

Esta disputa acontece em um baile, a mãe ordena que Yaqub leve sua irmã mais nova Rânia para casa. Era tudo o que Omar precisava, caminho livre para o coração de sua amada.

Mais tarde em uma sessão de cinematógrafo, Yaqub volta a tentar conquistar Lívia. O destino conspira ao seu favor e ele  é favorecido por uma pane elétrica no equipamento, o que deixa todos no escuro.

Quando as luzes se acendem, os lábios de Lívia estão colados ao rosto de Yaqub. Omar é tomado pelo ódio e se vinga quebrando uma garrafa e cortando o rosto de seu irmão.

Forma-se uma cicatriz com contornos de meia lua, este será o símbolo eterno do ódio entre os dois.

A viagem forçada volta à cena. Yaqub vai para o Líbano, ficar longe do ódio, e da disputa com seu irmão. Lívia posteriormente viajará para São Paulo.

Yaqub consegue sucesso na vida. Torna-se um excelente matemático enquanto Omar, que ficou com sua mãe, segue um caminho mais distorcido. Envolve-se com bebidas e negócios escusos.

O sucesso de Yaqub tem como prêmio uma viagem para São Paulo, para aprimorar seus estudos. Antes de seguir, tem um encontro amoroso com Lívia.

Eles irão se casar secretamente em um futuro próximo.

O livro é narrado por Nael: filho de domingas e de um dos gêmeos, mas não se tem certeza de qual deles. Ao fim de sua narrativa chove torrencialmente. Omar aparece diante de Nael, parece pedir perdão, mas recua lentamente. Seria ele o pai de Nael?

O livro trabalha bem a bipolaridade de sentimentos, a razão e a lógica em oposição ao sentimento sem barreiras. Não que um seja melhor que o outro, apenas são parte da construção do ser humano.

Hatoum expõe este sentimento revelando uma carne viva que arde, que se queima sem a pele. Que se destrói como um fio desencapado.

O estilo de Hatoum é bem enxuto, ele deixa os personagens se contarem por suas ações. É difícil tomar um partido. É difícil ficar imparcial.

Estas são características de grandes romances, as histórias individuais se entrelaçam em um grande amalgama de acontecimentos.

A mãe dos irmãos é de certa forma a catalizadora deste ódio, ela entra na vida de ambos de forma dominadora, elege seus favoritos e suas certezas. E no controle do destino de todos, semeia a discórdia.

 

Milton Hatoum

Hatoum é filho de imigrantes libaneses, nasceu em Manaus. Na década de 1970 viveu em São Paulo, onde cursou arquitetura na Universidade de São Paulo (USP).

Nos anos de 1980 depois de morar na Espanha, foi para a França onde fez pós-graduação na Universidade de Paris.

De volta ao Brasil, mais precisamente em Manaus, sua terra natal, lecionou língua e literatura francesas na UFAM- Universidade Federal do Amazonas.

Em 1989, publicou seu primeiro romance, “Relato de um certo Oriente”.

No final dos anos de 1990 voltou para São Paulo, onde fez doutorado em teoria literária na USP.

O romance “Dois irmãos” foi publicado em 2000. “Cinzas do Norte” seu terceiro romance foi publicado em 2005.

Seus três livros foram ganhadores do Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do Brasil.

O livro “Dois irmãos” será produzido pela Globo. Aqui você pode baixar o livro e fazer suas comparações.

Boa leitura!

É só clicar, baixar e ler!

Comments

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  1. Maressa Mendonça

    Também cheguei até o site sem querer e agora não consigo mais sair. rsrs
    Muito obrigada por todo esse conteúdo!

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