Madame Bovary – Gustave Flaubert

A Madame Bovary, clássico da literatura realista francesa é importante por vários motivos, a maioria acadêmicos, mas a sua contribuição fundamental à literatura, foi a de mexer com os costumes não só daquela época, hoje pode ainda causar algum desconforto.

A história começa com Charles Bovary, filho de um casamento conturbado, com dificuldades de relacionamento: Ingressou tardiamente na escola e suas roupas e costumes serviam de chacota para os seus colegas.

Já neste momento tem início a construção de um personagem com nítidos problemas emocionais, desajustado, não é caricato ou soberbo, é apenas humano, com muitas deficiências.

Charles, na vida adulta forma-se médico e se casa com a primeira Madame Bovary. Um ponto interessante aqui, a personagem que se torna o centro da trama, vulgo protagonista, ainda não apareceu. Esta primeira Madame Bovary é mais velha e ciumenta, em uma análise Freudiana, poderia se dizer que ele estava procurando a mãe neste casamento, apesar da vida de boêmia que levava antes do casamento.

A segunda e definitiva Madame Bovary aparece depois que ele vai a uma fazenda a trabalho e conhece a filha do fazendeiro, Emma, esta que será futuramente a Madame Bovary que dá título ao livro.

Charles, como todo moralista é um covarde e apesar do seu amor por Emma não o assume, até que por conta do destino sua esposa morre. Passa-se o luto e ele finalmente se casa com Emma.

Quem é esta Emma?

Emma é uma menina, que lê romances. Sua mente viaja em possibilidades lúdicas, ela é uma pessoa em certo ponto até fútil.

No entanto, esta personalidade que a desprende da realidade é o que faz da Madame Bovary tão revolucionária.

Ela aos poucos é tomada pelo tédio, pois a realidade é bem menor que a dos romances, e a vida de casada lhe traz a rotina. Neste momento ela toma as rédeas de sua vida e o personagem cresce. Flaubert criou um personagem que é o sonho de qualquer escritor. Madame Bovary tem seus conflitos e acha em seus amantes a válvula de escape para a realidade de existir.

O adultério feminino, principalmente na época em que foi escrito, século XIX, chegou a render a Flaubert processos, o que acabou até por alavancar a venda do livro.

Emma Bovary, acaba por ganhar vida própria e como sua contemporânea Capitu, reescreve a história das mulheres em uma sociedade dominada por falos.

É um livro de leitura obrigatória, ele está aqui, disponível online. Não perca tempo, leia Madame Bovary e depois vá ler Dom Casmurro e descubra quando a sociedade que você vive hoje, começou realmente a mudar.

Quem é Flaubert?

Gustave Flaubert foi um escritor francês. Marcou a literatura pela profundidade de suas análises psicológicas, seu senso de realidade e lucidez.

Foi o primeiro a idealizar seus romances em cenas. Madame Bovary é um exemplo disso, demorou cinco anos para ser escrito, cada cena, cada momento era pensado e trabalhado de forma que tivesse uma relação com o todo e este fosse completo em sí mesmo.

Flaubert é o que se pode chamar de gênio. No seu conceito básico, um gênio é aquele que mostra caminhos que depois de conhecidos parece à todos ser óbvio. O seu trabalho em montar personagens psicologicamente reais chega a rivalizar com Dostoievski.

Madame Bovary, como foi mencionado anteriormente, levou Flaubert aos tribunais. Ele acabou absolvido, no entanto o seu processo aguçou a curiosidade das pessoas em saber quem era Emma Bovary, Flaubert apenas respondeu: “Madame Bovary sou eu”.

Em 5 de agosto de 1880, o mundo perde Flaubert. Que como diria Raquel que Queiroz, permanecerá vivo na sua obra.

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