A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera

Partículas universais da existência, do amor que se segue em vida. Quem você ama é quem você traz para o seu universo.

Um amor nunca é proposital ou descompromissado. Ele vem se agasalha e fica.

A insustentável leveza do ser fala de quatro pessoas: Tomás, Teresa, Sabina e Franz. O pano de fundo para este quarteto amoroso é a invasão russa à Tchecoslováquia.

Tomás é um jovem médico que leva uma vida bem tranquila, apesar do cenário político. Encontra-se ocasionalmente com Sabina, com quem mantém um caso informal. Sexo sem compromisso, mas com uma certa frequência.

Ele conduz sua vida de forma leve e tranquila até conhecer Teresa. Eles não chegam a dormir juntos no primeiro encontro, mas deixa para ela um endereço, caso ela queira se encontrar com ele algum dia.

Este algum dia, acontece. Ao chegar em Praga, Teresa deixa sua bagagem em um armário na estação de trem e dirige-se para a casa de Tomás, que depois de deixá-la entrar em sua vida.

Nunca mais consegue se livrar do “bebê encontrado em um cesto à beira de um rio”, como ele se refere a ela.

Sabina é uma versão feminina de Tomás e conduz sua vida de forma bem semelhante. No entanto ao contrário de Tomás, não traz para si compromissos insustentáveis.

Franz é o amante de Sabina, que desfruta com ela o mesmo tipo de relacionamento que esta tem com Tomás.

Sabina na verdade personifica a leveza, não se prendendo a vínculos emocionais.

 

Leveza Insustentável

Esta leveza, carregada por Tomás, até conhecer Teresa e por Sabina, retira da vida o seu sentido. Transforma pessoas em folhas de papel largadas ao sabor do vento.

O peso do comprometimento é uma ancora a uma razão. Uma pedra mestra na construção de algo sólido, duradouro ou pelo menos real.

Não que os casos de Sabina ou mesmo de Tomás não fossem reais. Eles simplesmente eram etéreos. Retratos de fantasmas que se perdem em uma casa antiga.

São desprovidos de substância, e insustentáveis, pela sua própria natureza.

Esta leveza, nós escolhemos. Levá-la, ou por fim nos ancorarmos. O ser escolhe seu peso, sua massa, sua matéria.

Esta é apenas uma casca na filosofia contida no livro. O relacionamento, o amor, a liberdade, tudo o que constrói um ser, sozinho ou com outro, é aprofundado em a Insustentável leveza do ser.

 

Milan Kundera

Milan Kundera nasceu em 1 de abril de 1929 na cidade de Brno na República Checa.

Inicialmente escreveu poemas, todos possuíam orientação socialista, influenciados por Konstantin Biebl. Em seu primeiro romance, “A Brincadeira”, Kundera faz uma sátira da natureza do totalitarismo do período comunista. Suas críticas ao socialismo o fez ser adicionado à lista negra do partido.

Muda-se para a França, onde escreve “O Livro do Riso e do Esquecimento”, onde mistura romance, contos curtos e ensaios.

Em 1984, Kundera escreveu A Insustentável Leveza do Ser, seu trabalho mais popular.

Kundera escreve A Imortalidade em 1990. O romance é o mais “cosmopolita” até então, sem situar o enredo dentro do universo social e político da República Checa como fizera até então.

Kundera reafirma publicamente que deseja ser entendido como um romancista em termos gerais, não um escritor político.

Milan Kundera foi indicado ao Nobel este ano (2016). Mas quem levou foi o Bob Dylan. Coisas da vida.

Abaixo a obra mais famosa de Kundera, Boa leitura.

É só clicar, baixar e ler!

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