Histórias de cronópios e famas – Julio Cortázar

Histórias de cronópios e de famas é um livro surrealista. O que não o classifica como realismo mágico, que foi muito bem representado por Garcia Márquez e Borges. A condução da realidade aqui age de forma diferente. Chega a ser mais agressiva em sua transgressão da realidade. A mágica é outra.

Em a história de cronópios e famas, a realidade é trazida para perto através de uma ótica que a distorce, dentro de uma lógica revista através de uma luneta-caleidoscópica.

Se você não conhece Cortázar, este é um ótimo livro de apresentação. Apesar do escritor ter sua cadeira entre os grandes questionada por muitos críticos, ele é bem-querido aqui no Brasil.

Acredito que isto caracteriza a obra de Cortázar, não veja a realidade com a lógica euclidiana que reina aqui na terra. Use o caleidoscópio e simplesmente curta a leitura, que no fim é isso, um lugar onde você se sente bem e desafiado.

 

Histórias de cronópios e famas

O livro aborda diversos temas divididos em quatro partes:

  • Manual de instruções
  • Estranhas ocupações
  • Matéria plástica
  • E Histórias de cronópios e de famas

Em manual de instruções, possui pequenos ensinamentos de coisas bem prosaicas. Ensina como chorar, ou a subir escadas. A viagem nesta parte é garantida, o mundo é virado de cabeça para baixo, o que te deixa preparado para o que vem a seguir.

Estranhas ocupações, fala de situações absurdas de uma família bem peculiar. Aqui as criticas ao cotidiano a às pessoas afloram. Um exemplo é o comportamento das pessoas no velório, o respeito falso e as regras implícitas.

Matéria plástica é para tirar do chão o que sobrou de apoio aos seus pés. Ainda abordando as situações cotidianas ele usa da linguagem poética para aprofundar e distorcer ainda mais o que vemos como certo. Aqui as histórias são desconexas, habitando uma biosfera do caos, onde os habitats se explodem.

E por fim: Histórias de cronópios e famas.

Cronópios e famas, junto com as esperanças formam os três tipos de seres sociais.

Cronópios são os loucos, os sonhadores, que se divertem na simplicidade.

As famas são burocráticas, calmas e metódicas. Centralizadoras da ordem.

E as esperanças, apenas esperam, esperam o mundo girar, trazendo respostas, que podem não vir. Como toda a esperança, existem eternamente, num aguardar vegetativo.

 

Julio Cortázar

Filho de argentinos, nasceu na embaixada da Argentina em Ixelles, na Bélgica.

Quando tinha três anos, seus pais se separaram e passou a ser criado pela mãe, uma tia e uma avó.

Formou-se Professor em Letras em 1935, na “Escuela Normal de Profesores Mariano Acosta”, e naquela época começou a frequentar lutas de boxe.

Em 1938, com uma tiragem de 250 exemplares, editou “Presencia”, livro de poemas, sob o pseudônimo “Julio Denis”.

É considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética.

Apesar do seu livro mais famoso ser o “Rayuela” (O Jogo da Amarelinha), de 1963. Deixei abaixo o “Histórias de cronópios e famas”. Um livro que pode representar melhor a porta de entrada a esta proposta literária encabeçada por Cortazár.

 

Boa leitura!

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