Literatura é periferia é preta, branca. É fundamental.

Produtores culturais, educadores, leitores e escritores das várias periferias de São Paulo se reuniram no I Congresso de Escritores da Periferia, que aconteceu nos dias 22 e 23 de novembro no Jardim São Luís, Zona Sul da cidade. Incentivo à produção literária e a literatura negra como formas de inclusão social foram abordados nas mesas de debate. O evento também contou com atrações musicais, exposições de artes plásticas e uma feira de livros.
 
Quem organizou o evento foi o blog Desenrola e Não me Enrola, que divulga as manifestações culturais das periferias paulistas e é mantido por jovens moradores do Jardim Ângela, também na Zona Sul.
 
Raphael Poesia, 20 anos, um dos mentores do evento conta que a ideia foi levantar a discussão sobre temas que estão em evidência e dar visibilidade à produção literária periférica: “Tem diversos movimentos acontecendo e pessoas lançando seus livros, mas, muitas vezes, elas não têm a oportunidade de se reunir”.

O congresso teve início com a apresentação de Poetas Ambulantes, coletivo que realiza intervenções poéticas com saraus e distribuição de poemas em transportes públicos da cidade.
 
A primeira mesa de debate teve como tema “Incentivo à Produção Literária”. Estiveram presentes os escritores Michel Yakini, Fuzzil, Serginho Poeta e Márcio Ricardo.
 
O encontro foi mediado pelo rapper Robsoul. Para ele, a resistência da arte e da cultura das periferias são vitórias que devem ser festejadas: “Isso tem que ser celebrado principalmente neste espaço, que é o espaço da periferia”.
 
A educadora Maria Vilani discutiu literatura contemporânea e a crescente participação da mulher na produção cultural da periferia e da literatura contemporâneas.
 
A feminista Alessandra Tavares mediou o debate. Segundo ela, a vida pública, assim como a literatura, é um espaço ainda dos homens e que deve ser adentrado pelas mulheres: “O que faz com que existam menos mulheres na literatura? É o que faz com que existam menos mulheres em espaços públicos. Não é na literatura em si”.
 
Luciene Santos, 53, expôs na feira de livros seu primeiro trabalho Marcela – Pela Outra Metade da Árvore, que aborda a questão da ausência paternal. Ela afirmou que é “fundamental” haver espaço para divulgar esse tipo de trabalho.
A terceira mesa de debate foi mediada por Vanessa Delfino e teve a presença das escritoras Débora Garcia e Jenyffer Nascimento, do poeta e cineasta Akins Kintê e da atriz e educadora Priscila Preta, que discutiram a literatura negra como forma de inclusão social.
 
“A literatura negra que se produz vai além da briga contra o racismo”, diz Akins. “Também tem uma preocupação com o amor negro, com a relação de ser humano, com o sorriso das crianças”, explica.
 
O Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de São Paulo (PMLLLB) foi discutido na quarta mesa de debate. Entre os objetivos do plano, destacam-se: “realizar o diagnóstico das ações de leitura, em equipamentos de acesso público e privado, para o Município” e “elaborar eixos temáticos de atuação, com inspiração no Plano Nacional do Livro e da Leitura  (PNLL)”. Já a quinta e última mesa abordou questões sobre o mercado editorial.
 
Raphael Poesia admite que alguns alunos que não têm interesse pela escola acabam abandonando os estudos e o gosto pela leitura, mas que a literatura produzida por moradores de periferia pode mudar essa realidade: “Os próprios moradores da periferia estão fazendo literatura e indo às escolas conversar com os estudantes. Assim, os jovens acabam querendo ler estes autores que estão perto deles e vivem na mesma realidade”, conclui.

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