Anjo Negro – Nelson Rodrigues

Em Anjo negro, o pior racismo não é o que vem dos outros. O pior racismo é o que te cega, que te faz odiar não o ódio terceiro, o ódio do próximo, é o que te faz odiar o que você é.

Em Anjo negro o racismo é a própria figura de Ismael, que inconformado com sua pele, procura compensar sua condição galgando os degraus da sociedade.

Ele é formado em medicina e casou-se com Virgínia, uma mulher branca, que foi violentada por ele. Ela por sua vez matou todos os filhos negros que teve com Ismael.

A peça começa no velório do seu terceiro filho. No velório aparece o irmão de Ismael, Elias que é branco. Um motivo de ódio tão grande que quando pequeno, Ismael trocou o remédio de seu irmão e acabou cegando-o.

O fato de cegar o irmão é claramente uma ênfase a vergonha de Ismael por sua condição de cor, ele nega a si e nega como os outros o veem.

 

Uma trama de Nelson Rodrigues, nunca é simples

Virgínia e Elias têm um caso e decidem fugir. Este é um momento crucial da peça, ao ver Elias saindo do quarto de Virgínia, a tia de Virgínia percebe que sua sobrinha está traindo Elias, corre contar para ele, que vai ao quarto tirar satisfações.

Nesta hora Virgínia revela que matou os filhos de Elias, mas se diz arrependida e pede que tenham outro filho.

A tia volta à cena, e diz que Virgínia está esperando um filho de Elias. Ismael ameaça matar a criança, Virginia percebendo que não vai conter o ódio de Ismael, corre para o quarto onde Elias à espera.

Ismael mata seu irmão com um tiro.

 

Amor e preconceito

Virgínia dá à luz a uma menina, Ana Maria, branca como a mãe. Ismael não consegue matá-la, mas a cega, como fez com seu irmão.

A trama pula dezesseis anos, onde adquire novas nuances.

Ana Maria, cega, acredita que Elias é seu pai e branco. Na verdade, o mais bondoso dos brancos. Virgínia planeja fugir com sua filha, mas descobre que o amor entre ela e seu pai é mais profundo que imaginava.

Os dois têm um caso.

A reação de Virgínia é ainda mais estranha, ela fica com ciúmes da filha e quando Ismael pede que ela vá embora, Virgínia mente para o marido e diz que Ana Maria tem um caso e ama outro homem.

Ismael então decide trancar sua enteada e amante, para sempre em um mausoléu.

 

Nelson Rodrigues.

Quando Nelson Rodrigues pensou em montar esta peça em 1946, o Brasil se via como um país sem preconceito, um lugar onde não havia racismo, no entanto, todos os papéis negros ou eram serviçais ou caricaturas, personagens pouco inteligentes e cômicos.

Ismael aparece como um personagem principal, um protagonista com raiva e ódio. Ele escancara o preconceito velado da sociedade brasileira e se torna também um vilão.

Esta peça foi censurada e só foi exibida em 1948. É uma obra obrigatória para quem ama o teatro e permanente, para quem acha que preconceito só existe no quintal do vizinho.

Abaixo você pode baixar a peça. Leia, encene, faça o que quiser, só não esqueça de entrar na cabeça de Ismael, de Virgínia e principalmente de Ana Maria e seu amor cego.

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